Mês da mulher

Nem o céu é limite para mulheres que conseguiram romper barreira machista

Somente a Nasa já levou 50 mulheres ao espaço; mas são mais de 300 astronautas homens

Nem o céu é limite para mulheres que conseguiram romper barreira machista

Sim, ainda vivemos em uma sociedade machista. Dados alarmantes sobre violência contra mulher, salários mais baixos que o dos homens mesmo com nível de escolaridade maior, poucas líderes nas empresas.

No entanto, desde que a sociedade evoluiu ao pensamento de que mulher é inferior aos homens, estamos, atualmente, num cenário um tanto quanto melhor. Ainda precisamos vencer muitas batalhas, derrubar inúmeras barreiras, nos livrar de muitas crenças limitantes que, obviamente nos limitaram, nos rebaixaram, nos suprimiram.

Precisamos nos espelhar mais em tantas “mulheres maravilhas” que já tivemos na história. Para algumas delas, o céu não é o limite. Elas sempre olharam para cima, para além, para o espaço.

Já ouviu falar de Valentina Vladimirovna Tereshkova? Ela foi a primeira mulher do mundo a ir para o espaço, em 16 de junho de 1963. Aos 26 anos, valentia e coragem não faltaram à esta mulher russa, que foi transformada em heroína nacional após o sucesso de sua missão. Ainda hoje, continua sendo a única mulher a fazer voo solo.

Depois de Valentina Vladimirovna Tereshkova, outras 58 mulheres astronautas foram ao espaço.

Astronauta negra

Ser mulher em um mundo machista não é das coisas mais fáceis, principalmente quando, além de mulher, se é negra.

Apenas em 1992 o espaço recebeu uma mulher afrodescendente. A norte-americana Mae Jemison fez história a bordo da missão STS-47 do ônibus espacial Endeavour, da NASA,. Engenheira e médica, ela disse que se inspirou em Sally Ride, primeira mulher astronauta a participar de uma missão espacial da NASA, em junho de 1983.

“Com frequência somos deixadas de fora do avanço da humanidade. Quando voei ao espaço, fiquei surpresa ao saber que só caucasianas dos EUA e da Rússia haviam estado lá antes de mim. Sempre imaginei que todo tipo de pessoa teria ido. Ser a primeira foi um grito de que temos muito a oferecer, uma honra e responsabilidade. Eu me comprometi a incluir toda a perspectiva e o talento humanos na construção do mundo”, afirmou Mae Jemison em uma entrevista sobre o filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures – adaptado do livro homônimo de Margot Lee Shetterly), de 2016.

O filme recorda o árduo trabalho de mulheres negras na Nasa, especificamente, de três cientistas que fizeram a diferença na agência espacial norte-americana: Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Os trabalhos dessas mulheres durante a corrida espacial permitiram que o astronauta John Glenn fosse o primeiro norte-americano a orbitar ao redor da Terra em 1962.

Katherine Johnson foi responsável pela análise e cálculo da trajetória de Glenn no espaço e, também, por revisar os cálculos dos computadores eletrônicos que permitiriam a volta do astronauta. Além disso, também contribuiu para o sucesso da chegada do homem à Lua.

Dorothy Vaughan, com muita luta se tornou a primeira supervisora negra. Ao perceber que a “West Area Computers”, onde ficavam as mulheres negras, seria a primeira ala a ser cortada com a introdução das máquinas da IBM, Vaughan decidiu aprender a programar, sendo ela quem se especializou e implementou na NASA o sistema de linguagem Fortran. A programadora também contribuiu no projeto do foguete Scout (Solid Controlled Orbital Utility Test), que lançaria pequenos satélites na órbita.

Mary Jackson se tornou a primeira engenheira negra da NASA, em 1958. Mas não foi nada fácil. Os empecilhos para alavancar sua carreira eram constantes. Para se candidatar a promoção, apesar de seus diplomas e experiência, ela deveria ter uma pós-graduação pela Universidade de Virgínia, que não aceitava alunos negros. O cargo de engenheira veio após ela vencer a segregação nos tribunais e ganhar o direito ao estudo.

Números da NASA

Em 59 anos, a NASA já levou mais de 50 mulheres ao espaço. Os homens somam mais de 300 no mesmo período.

A proporção de gênero continua bem desequilibrada, dos 56 astronautas ativos da NASA, apenas 19 são mulheres. No ano passado, dos cinco astronautas na estação espacial internacional, apenas uma, Peggy Whitson, era mulher. Isso tirando o fato que mais mulheres do que nunca estão se inscrevendo para virarem astronautas.

Até agora, nenhuma mulher astronauta viajou além da baixa órbita da Terra.

Por outro lado

Em 2016 a NASA presenciou outro marco para a história das mulheres, quando Charlie Blackwell-Thompson foi nomeada como diretora de lançamento do Programa de Exploração de Sistemas Terrestres, se tornando a primeira mulher a ocupar o cargo no Firing Room-1 do Kennedy Space Center. A ex-astronauta lidera e gerencia o planejamento e execução de operações de lançamento da capsula Orion, que levará os astronautas para Marte até 2030.

A NASA também criou o site Women@NASA, no qual compartilha vídeos e história das funcionárias da agência e esperar gerar inspiração às meninas e mulheres sobre a carreira espacial, além de, principalmente, reivindicar mudanças nas políticas que impactam o mercado de trabalho.

Incentivo

Embora não exista uma conspiração para manter as mulheres de fora do espaço, uma tendência implícita se mostra como uma verdadeira barreira para mulheres procurando carreiras no STEM. Pesquisas sugerem que desde a escola fundamental, as meninas são desencorajadas em suas aulas de matemática e ciências. Mesmo elas sendo capazes de superar as barreiras acadêmicas, as mulheres cientistas tem mais chance de sofrer discriminação de seus professores e empregadores.

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Redação
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